Alunos do curso de Gestão de Empresas reclamam junto ao coordenador de curso…

Teve lugar no dia 21 de Maio de 2009 entre as 16:15 e as 18:00 horas no gabinete 2.4 uma reunião de Coordenação do 3.º ano da Licenciatura em Gestão de Empresas da Faculdade de Economia daUniversidade do Algarve.

A reunião foi solicitada pela Delegada de Turma, Liliana André. Para além da mesma, estiverempresentes nesta reunião o Coordenador do 3.º ano do curso de Licenciatura em Gestão de Empresas,Luís Coelho, e Sub-Delegado de Turma, João Cabrita.

Esta reunião teve como ponto único o reporte por parte dos alunos de um conjunto de situações que têm vindo a prejudicar o normal funcionamento das actividades lectivas nas unidades curriculares de Comportamento Organizacional, Estratégia e Planeamento Empresarial e Projecto de Investimento.

O Coordenador de ano abriu a sessão pedindo aos representantes dos estudantes que se pronunciassem sobre o funcionamento da unidade curricular de Comportamento Organizacional. A Delegada de Turma mencionou que a maioria dos alunos está descontente com a forma como o docente lecciona as suas aulas. Em particular, a Delegada de Turma mencionou que tipicamente o docente se limita a ler partes do livro de apoio que recomenda para a disciplina, sugerindo que os alunos as sublinhem pois as mesmas serão potencialmente objectivo de avaliação em momento posterior. É também importante realçar que os alunos consideram que a discussão adicional dos temas promovida pelo docente é claramente insuficiente, sendo isso desmotivador da aprendizagem. Esta abordagem pedagógica leva a que apenas 9/10 alunos participem regularmente nas aulas desta disciplina. Para além disso, o resultado do primeiro teste de avaliação foi muito negativo, sendo a taxa de aprovação do mesmo inferior a 15%. Foi ainda mencionado pelos alunos que a tutoria da disciplina é feita no gabinete do docente, não havendo uma aula formal para a mesma, prática que contraria a recomendação do Conselho Directivo da Faculdade de Economia sobre o tema para o ano lectivo de 2008/2009.

Os representantes dos alunos sugeriram o seguinte conjunto de soluções/melhorias para esta unidade curricular:

– O docente deve de falar dos diversos temas de forma focada e directa, evitando dentro do possíveldivagações filosóficas sobre os mesmos (que apesar de interessantes dificultam a aprendizagem dosconceitos básicos por parte dos estudantes);

– O docente poderia utilizar a tutoria da disciplina para tirar dúvidas sobre a matéria já dada e que aparentemente foi mal compreendida pela maioria dos alunos. Formalmente, isto implicaria que a hora da tutoria fosse transformada numa hora efectiva de aula;

– O docente poderia passar a apresentar os capítulos às terças-feiras de cada semana, com discussão dos mesmos às quartas-feiras (actualmente acontece exactamente o oposto).

Seguiu-se a unidade curricular de Estratégia e Planeamento Empresarial. Os representantes dos alunos esclareceram que esta unidade curricular está dividida em dois módulos, tendo o primeiro sido assegurada pelo Professor Júlio Mendes. Sobre este módulo os alunos nada têm a apontar. No entanto, esta situação alterou-se radicalmente desde que o Professor Adão iniciou o segundo módulo da unidade curricular. Em particular, os representantes dos alunos mencionaram que o número de aulas efectivamente leccionadas por este docente é baixo (aproximadamente 60% de faltas), havendo também um elevado desconforto relativamente à sua pontualidade. Essa situação leva a que tenha sido dada pouca matéria pelo docente, isto apesar de existir um conjunto de “slides” que podem ser consultados pelos alunos. Esta situação gera preocupação nos alunos pois haverá um segundo teste no dia 8 de Junho, estes sentem que não houve tempo para discutir os diferentes temas que serão objecto de avaliação num futuro muito próximo.

Os alunos reportaram ainda a existência de um problema com o trabalho da unidade curricular de Estratégia e Planeamento Empresarial (que é feito em conjunto com a unidade curricular de Projecto de Investimento). Este trabalho conjunto tem dois objectivos essenciais:

1) criar uma estratégia para uma empresa;

2) desenvolver um projecto de investimento para a mesma.

O ponto fundamental deste trabalho é que o mesmo deverá ser elaborado em conjunto com empresas reais localizadas na região do Algarve.  No entanto, o contacto dos docentes com estas empresas aconteceu muito tarde no semestre, o que inevitavelmente levou a que a alocação dos diferentes grupos à sua empresa se tivesse realizado tardiamente no semestre. Existem ainda casos de grupos que se viram impossibilitados de recolher dados para a realização do seu trabalho porque algumas das empresas envolvidas neste projecto decidiram retirar-se do mesmo a meio do processo. Naturalmente que os alunos que ainda estão a tentar fazer o seu trabalho, sentem que têm pouco tempo para o terminar, pois o mesmo deverá ser entregue no final do período lectivo do presente semestre.

O problema é que a unidade curricular de Estratégia e Planeamento Empresarial tem um modelo de avaliação que comporta a realização de dois testes e ainda a nota do trabalho. O primeiro teste já se realizou com resultados considerados normais. O segundo teste é o tal de dia 08 de Junho, mencionado no parágrafo anterior. Os representantes dos alunos sugeriram o seguinte conjunto de soluções/melhorias para esta unidadecurricular:

– O Professor Adão deverá melhorar a sua assiduidade e pontualidade de forma a assegurar que amatéria do segundo bloco de matéria é efectivamente leccionado, o que ajudará os alunos a realizar o segundo teste da unidade curricular;

– O segundo teste poderá não se realizar, dando-se assim maior ponderação ao trabalho;alternativamente a estrutura do teste poderá ser previamente combinada com os alunos de forma a maximizar a probabilidade de sucesso dos mesmo (ex.: escolha de quatro temas do segundo bloco dematéria para serem avaliados dois);

– Os alunos percebem o interesse de combinar os trabalhos de Projecto de Investimento e Estratégia e Planeamento Empresarial. No entanto, a experiência demonstra que nos moldes actuais esta prática não funciona e deverá ser revista no próximo ano lectivo.

Em seguida falou-se da unidade curricular de Projecto de Investimento. Os representantes dos alunos mencionaram que o docente tem alguma dificuldade em manter níveis elevados de assiduidade e que tipicamente se dispersa muito quando está a expor a matéria. Esta situação leva a que os alunos sintam muita dificuldade em compreender os conceitos leccionados pelo docente.

Os alunos enfatizaram ainda que a interdependência existente entre o trabalho desta unidade curricular e o da unidade curricular de Estratégia e Planeamento Empresarial é negativa. De facto, até muito recentemente, era consensual entre os alunos que não seria possível realizar o trabalho da unidade curricular de Projecto de Investimento, pois não dispunham de dados para o fazer e também porque não compreendiam como é que poderiam utilizar os conceitos até aqui leccionados pelo docente de Projecto de Investimento para realizar o trabalho da unidade curricular. No entanto, os alunos reconhecem que o docente de Projecto de Investimento fez um esforço muito positivo no entretanto, estando agora mais claro o que é necessário fazer para completar com sucesso o trabalho desta unidade curricular.

Os representantes dos alunos sugeriram que o docente disponibilizasse uma hora própria para que os alunos possam tirar dúvidas relativamente aos seus trabalhos. Isto permitiria que as aulas decorressem sem interrupções motivadas por este tema, o que ajudaria à melhor compreensão dos conteúdos por parte dos alunos.

 

Faro, 21 de Janeiro de 2009

O Coordenador do 3.º ano da Licenciatura em Gestão de Empresas

da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve

Luís Coelho

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2 pensamentos sobre “Alunos do curso de Gestão de Empresas reclamam junto ao coordenador de curso…

  1. Caro Costa, sem depreciação para o seu trabalho, desde muito jovem que fui educada com o lema: o casa se passa em casa, fica em casa.
    O que quero dizer com isto é: qual a vantagem de expor todos os podres da ualg ( com um especial “carinho” pela feualg )? Que as coisas devem ser agitadas e discutidas? Sim! Que se deve mudar o funcionamento? Sim! Mas não serão os principais lesados os licenciados e ex-licenciados pela aquela faculdade/universidade? Ou seja, não será que vou ser prejudicada com um possível empregador for fazer uma pesquisa e por acaso ler o seu blog? Onde os artigos e todos os comentários levam a crer que a ualg e a feualg são corruptas, que quase de dá os cursos aos alunos, que os professores não prestam… Acho que principalmente a maioria das pessoas que aqui faz comentário se deveria conter um pouco porque estão a estragar o seu futuro e o dos outros! Eu sinceramente acho que devemos lutar de forma interna! E não estragar a reputação uma universidade porque com a reputação dela, estraga-se também a nossa! Eu digo que tive óptimos professores e professores menos bons como em tudo…mas que tive que batalhar muito para tirar o meu curso! E não acho correcto ver tantas pessoas a tentar “afundar” a imagem de uma universidade pela qual deveriam lutar.

    • Estimada Carla, é a sua visão das coisas e só temos de respeitar.

      Quando à reputação da instituição UAlg, essa é sobejamente conhecida dos empregadores e do agora Ministro da Economia, Prof. Álvaro Santos Pereira e do de todo o meio académico. Para que tenha a real noção do que digo, vou transcrever um excerto do livro “Os mitos da Economia Portuguesa:

      “Não se consegue compreender como é que o Algarve tem uma universidade de qualidade sofrível em quase todas as áreas de investigação. Ora, no lugar onde está localizada, a Universidade do Algarve deveria ser uma das melhores do país, se não mesmo a melhor.

      De facto, é surpreendente como é que o Algarve não consegue atrair professores estrangeiros de craveira internacional ou, pelo menos, de qualidade superior à média nacional. Porquê? Sabendo da qualidade de vida que poderiam usufruir no Algarve, não seria possível à universidade algarvia atrair professores de qualidade internacional? Claro que sim. Se as condições forem boas (financeiramente e a nível de investigação), eu garanto-lhes que muitos professores ingleses, alemães, ou holandeses de 40, 50 ou 60 anos não se importarão nada de deixarem as suas instituições e os seus países para virem leccionar e fazer investigação para o Algarve.

      No entanto, actualmente, poucos ou nenhuns o fazem. Porquê? Porque os salários e a fiscalidade não são competitivos, a qualidade dos departamentos e faculdades não é das melhores, e os incentivos à investigação deixam muito a desejar. E porque é que os sucessivos reitores da instituição algarvia não fazem nada (ou quase nada) por isso? Porque não existe vontade de incomodar os interesses instalados. Não existe coragem para lutar contra práticas enraizadas durante décadas de imobilismo e marasmo académico. E este não é um mal exclusivo do Algarve. É um mal extensivo à grande maioria das universidades e politécnicos portugueses.“

      Como vê, não se tem de preocupar com os empregadores nem defender a honra da instituição, mas devemos contribuir para que melhor, e isso minha cara, só com a discussão pública em determinados assuntos. Dentro dos gabinetes nada se resolve em prol do colectivo. Acredite se quiser. No entanto, veja o próximo artigo que deve sair hoje, e verá que a intervenção pública é o caminho. Transparência é o que se quer e recomenda-se. E essa não temos…

      Saudações Académicas

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