Assalto em residência da Universidade do Algarve

Resposta ao OF. Cir. 84/Faro, 10 de Maio de 2010

enviado aos moradores do 1º Esq da residência do Ferragial

Numa primeira analise esta carta, fica a ideia que numa fase inicial esta seria dirigida aos residentes do 1ª andar (1ºEsq; 1ºDir) “desapareceram 2 mesas e 2 cadeiras,do Apartamento/Andar que ocupa”. Mas porquê todos os residentes do 1ª andar? Porque ambos os apartamentos têm ligação pela varanda e não fossem os alunos levantar a questão. Mas na prática só os alunos do 1ª Esquerdo foram contemplados.

O raciocino lógico é simples. Não se podendo provar o(s) autor (s) do “furto” (?), pagam todos “informamos que os prejuízos serão repartidos por todos os alojados no mesmo apartamento”. Admiti-se que o facto dos residentes da 1ª Direito ser maioritariamente composto por alunos timorenses e oriundos das ilhas tenha pesado na decisão do “um por todos e todos por um”. Mas só para alguns…

Mais à frente invoca-se um Regulamento interno “Informamos que caso não efectue a liquidação do montante (13.98 €) agora referenciado, fica sujeito às penalizações previstas, nomeadamente a perda de direito da Residência (ponto 5.5. do Regulamento) ” o que difere do que regulamento na página oficial dos SAS. Não existe nenhum ponto 5.5. (ver site).

A encarregada da residência  também não sabe ao certo quando deu-se o “furto”, ainda para mais, num quarto vago e fechado.
Quem garante que foram estudantes ??? Muito menos contrariar a velha máxima que ” todos somos inocentes em prova contrária”.

Na verdade os problemas das residências são já um cliché  que têm perdurado no tempo. O que muda são os intervenientes. As situações repetem-se quase ciclicamente, ano após ano, sempre com os mesmos discursos, apelando ao civismo dos inquilinos, quando isso não impera, faz-se umas quantas ameaças e pronto, a lei do chicote a funcionar no seu melhor.

Já tive oportunidade de falar com o Dr. Cardoso Administrador dos SAS, sobre segurança e algumas medidas que no meu entender eram e são vitais para garantir o mínimo de segurança nas residências. Uma das muitas preocupações que levantei numa reunião de comissão de moradores foi:

  • As fechaduras não serem trocadas no final de cada ano, o que poderia ser uma brecha na segurança por alguém mal intencionado. O Dr. Cardoso recordou um caso de um aluno que tinha sido transferido para outro apartamento e pela calada da noite furtava alimentos e outros bens no antigo apartamento, até que foi apanhado. Portanto conhece o problema há muito tempo.
  • O facto de as chaves dos quartos abrirem mais que uma porta, logo a privacidade não está totalmente assegurada quando se vive com mais 13 pessoas num apartamento. Mais aquelas ‘chaves perdidas’.
  • Na ausência de um vigilante de serviço, tentei fazer ver ao Dr. Cardoso que era e é vital a presença de câmaras de segurança nas entradas das residências. Foi recordado o que anteriormente tinha sido dado a conhecer via correio electrónico: invasões à residência do Lote O por indivíduos que não tinham as melhores práticas. Respondeu que “ se pusermos numa residência temos que por em todas e não temos dinheiro para isso”

Recentemente, os moradores desta residência foram forçados a chamar a GNR para expulsar um grupo de “bad boys” do edifício. Acabaram todos identificados e convidados a abandonar as instalações. Posteriormente foram afixadas ameaças de morte aos estudantes na porta do edifício.

A verdade é que o Actual Regulamento Interno (?), aquele que esta na página dos SAS está completamente obsoleto e não garante o bom funcionamento das residências, é demasiado omisso em questões essenciais. Por exemplo, podemos levar visitas femininas mas estão restritas à sala e casa de banho. No entanto, distribuem preservativos para fomentar o sexo seguro, mas obrigam os estudantes a irem para dentro de um carro ou um beco qualquer, sujeitos a todos os perigos.

Não morres de sida mas de outra coisa qualquer…

Relativamente à falta de verba para a compra de câmaras de segurança para as residências universitárias, esse problema já não se coloca. Vejamos:

Recentemente veio a se comprovar que a água de Gambelas não estava potável, com declarações públicas do Sr. Reitor a reiterar que nas cantinas do Campus de Gambelas, a água da rede pública havia sido substituída por água engarrafada. Em prol da segurança alimentar presume-se.

Uma vez mais, a distancia entre o dizer e acontecer é considerável. Continuou-se a confeccionar as refeições diárias com “água da torneira” e pior ainda, a ameaça transformou-se numa grande oportunidade. Não foi disponibilizada água /sumo nas refeições, apesar de a isso estarem obrigados, porque está incluído no preço da senha. Mas leite sim. Deve ser por ser mais barato que a água com certeza.

Façamos umas contas simples:

Em média, a cantina de Gambelas faz entre 500 a 600 refeições diárias, cinco dias por semana. Se cada um dos utentes levar uma água isso representa por dia entre 250€ e 300€. Semanalmente entre 1250€ e 1500 euros. Como a situação arrastou-se aproximadamente três semanas inteiras, o valor facturado varia entre 3750€ e os 4500€ em água que deveria ser disponibilizada gratuitamente como se pode subentender das palavras do Sr. Reitor à TSF.

Fonte: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1531394

Como vê, já conseguiu a verba necessária para investir em segurança e penso que chegará para duas mesas e duas cadeiras. Ainda por cima, dinheiro dos estudantes. Uma verdadeira lição de gestão.

É por demais sabido que nem todos os estudantes têm o melhor comportamento, mas não se pode partir do particular para o geral. Esses comportamentos são a excepção e não a regra.

O distânciamento nem sempre é sinónimo de ausência …

 

Consultar: Ofício

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12 pensamentos sobre “Assalto em residência da Universidade do Algarve

  1. É uma vergonha a verdadeira realidade da residência masculina do ferragial. Falo com conhecimento de causa visto residir no 1º esquerdo onde tudo começou!!

    Não me repetindo muito aos colegas que deixaram comentários anteriores, não acham que a falta de segurança onde podem habitar 84 pessoas é uma questão fundamental?

    Chaves “mestras” para todos os alunos, apartamentos interligados pelas varandas, e vários desaparecimentos estranhos durante o ano não levam a ponderar a administração a tomar medidas???

    Quanto as ditas mesas e cadeiras… desapareceram do quarto que estava fechado aguardando residentes infectados com a gripe A.

    Quem roubou sabia exactamente o que fazia visto haver muitas mesas, e cadeiras na sala comum logo a entrada. Agora alguém me explica o porque de serem só os residentes do esquerdo a pagar? e os do direito? e quem possui chaves que abrem essas portas?

    Alunos ameaçados que as notas não são lançadas se a “divida” não for saldada… muito educativa essa forma de persuasão. Enquanto só houver punição para os alunos de actos que não se provam e totalmente incompreendidos e todos os outros referentes aos alunos que no âmbito geral são os mais afectados, a administração das residências tem muito mudar. Saber admitir um erro é uma grande virtude!

    Saudações académicas!!!

  2. Caros colegas,

    Nunca estive alojado em nenhuma residência dos SAS da UALG, mas ja fiz vários levantamentos e acreditem que há ainda muita coisa a apontar. Questões técnicas, de saúde e conforto, de gestão, etc…

    Agora pergunto eu, a “nossa” (em teoria devolvida aos alunos este ano) Associação Académica não tem um pelouro para estes assuntos da acção social? Este alguma vez se pronunciou? São perguntas à qual só tenho respostas negativas, pelo que peço a quem frequente este site, que me informe da actividade do referido pelouro.

    É que a a Semana Académica já terminou, e a Recepção ao Caloiro é só la para Outubro, eu gostava de ver a máquina de propaganda que vi em Novembro e em Dezembro a trabalhar tão bem afinadinha como andava nas eleições para a DG da AAUalg.

    Saudações Académicas

    Ricardo

    PS: continuação de bom trabalho.

  3. Caros colegas da ressidencia, algum de vocês assinou um “inventário” onde constasse números de bens materiais da vossa residencia?!

    Como é que se pode acusar a falta de material se não existe um documento que prove a existência de X mesas ou Y cadeiras?!

    Eu por exemplo não faço a mínima ideia de quantas mesas e cadeiras existem no apartamento!!!

    Saudações académicas

  4. Nâo sabia da existência deste site, mas folgo saber que existe com elevado grau de descaramento mas factual. Nâo se diz por dizer, é fundamentado. Os meus mais sinceros parabens ao administrador.

    Já estive a residir no Ferragial e no Lote O. Na primeira nunca tive qualquer problema de desaparecimentos, o mesmo não posso dizer do Lote O em que deixei umas sapatilhas da adidas novas no apartamento onde residia, porque ia de ferias de verão e a esta residência ficou fechada com ferros pedreiro. Mesmo que um aluno tivesse a chave do edificio não conseguia entrar, só funcionários dos SAS.

    Resumindo, não foi ninguém e fiquei eu sem os meus tenis…e sem dinheiro para outros..

    Este é um exemplo claro que nem sempre são os alunos os culpados das situações. São certamente um alvo facil para a propetência do Dr. Cardoso e das assistentes sociais que disso nada têm…

    Enfim….

  5. Caro Paulo Oliveira,

    Obrigado pelos comentários tão esclarecedores no que a segurança e o dia-a-dia nas residências da Universidade do Algarve.

    No que diz respeito ao ponto 5.5 do regulamento, esse não existe. Se repares tens 9.2. 9.3. 9.4. 9.5. 9.6 e por ai fora, mas não o ponto 5.5.

    Poderíamos questionar o ponto 5 nº 5, mas não corresponde “a perda de direito da Residência”, mas sim motivo de perda imediata de direito a residência por falta de pagamento de mensalidades. mas a bom rigor não existe. Existia e é capaz de existir numa outra versão do regulamento, que por acaso já vi em papel em algumas residências.

    Uma vez mais obrigado pelos contributos..

    Abraço

  6. Boa noite a todos.

    Eu como residente desta residência tenho queixas a fazer a responsável desta residências.

    Eu tenho a sorte de viver nesta residências mas num andar onde esta senhora não limpa, mas tenho que informar que quando a funcionária responsável falta e vem esta senhora para o meu apartamento faz umas limpezas muito fracas, como tambem implica muitas vezes sem razão com o pessoal do apartamento.

    Esta residência tem duas excelentes funcionárias que trabalham bem como tambem incentivam e ajudam os alunos a ser limpos e organizados com os seus espaços, mas não é nenhuma dessas a responsável. Porquê???

  7. (Continuação)

    e à entrada do apartamento. Então e os nossos quartos? O Dr. Cardoso afirmou também que dentro dos apartamentos estavam só pessoas de confiança. Mais uma vez lá esta ele a atirar areia para os nossos olhos, todos nós sabemos que nas residências moram pessoas com bons e maus princípios e a segurança é fundamental, mas além da segurança é uma questão de privacidade.

    Caros colegas, há pessoas que quando chegam a uma certa idade e tem um bom emprego pensam que tem a faca e o queijo na mão, podem fazer e dizer aquilo que lhes apetece, mas isso não é bem assim. Nunca nos podemos esquecer que qualquer instituição tem livro de reclamações, e existem muitos locais onde podemos queixar dos maus profissionais, não podemos deixar passar situações como estas.

    Sei que a responsabilidade também é minha, mas agora mais do que nunca não me sinto de modo algum seguro e não posso deixar os meus valores no meu próprio quarto, pois estou sujeito a ser assaltado . É muito complicado quando temos os nossos valores no nosso quarto, não podemos fazer nada para garantir a sua segurança visto que as chaves dos quartos são iguais e os responsáveis rejeitam qualquer tipo de responsabilidade de segurança.
    Considero no mínimo lamentável……..

  8. Caros colegas, e Caro Costa.

    Por acaso eu já sabia dessa situação e até já comentei essa situação com o Dr. Cardoso.

    Mas não foram só vocês que foram assaltados.
    Eu moro no 3º Esq da residência do Ferragial e durante a semana académica enquanto eu estava fora fui assaltado. Roubaram-me um relógio e o disco externo do meu PC, o valor do assalto foi de cerca de 180€.

    Fui fazer a denuncia à PSP e recusaram-se a fazer investigação porque deduziram que já tinham sido eliminadas quaisquer provas do assalto.
    Fiz uma reunião com as pessoas que tinham estado em casa na noite do assalto e fiz uma listagem para entregar à policia. Essa listagem foi rejeitada, porque eu não desconfiava de ninguém e se desconfiasse de alguém tinha que ter provas!!! Mas como é que eu vou arranjar provas se não estava em casa, ninguém viu nada e a PSP recusou fazer investigação??

    Fui falar com o Dr Cardoso e disse-me que isso não era da responsabilidade dele. No entanto alertei-o para o facto de as chaves dos quartos serem compatíveis, ou seja, eu com a minha chave posso abrir um quarto de um colega meu e vice versa. É a nossa segurança que está em jogo!!! O Dr Cardoso afirmou que a única coisa que pode fazer é enviar um despacho a quem teve na residência na noite do assalto, mas eu questiono DE QUE FORMA É QUE ISSO VAI AJUDAR???

    Acho muito mau quando um administrador dos Serviços de Acção Social afirma que a nossa segurança de algum modo não é da sua responsabilidade, apenas tem responsabilidade na segurança à entrada do edifício e

  9. Sempre que venho a este site pasmo-me…..

    Não sei como consegues saber destas coisas, mas não podemos negar que tens feito um trabalho de “super-homem” atendendo que sozinho tens denunciado e melhor do que isso, apresentas sempre propostas ao contrário de muita boa gente que por ai anda de peito feito. Meninos….

    Lembro-me de um caso em que desapareceu um extintor das escadas da residência do Lote O. Os SAS uma vez mais aplicaram a sua justiça arbitrária e tentaram fazer comprir um regulamento completamente ilegal, repartindo a despesa por todos os inqulinos do edificio, à expcessão dos alunos de mestrado e professores que habitam no 1º andar desta residência, porque esses tinham uma “instrução maior, era pessoas mais maduras e incapazes de cometer tal acto”. Acreditem que esta foi a justificação que deram.

    É mesmo verdade, acreditem…

  10. Finalmente algúem com coragem para abordar uma realidade que existe há muitos anos nas residências da Universidade do Algarve.

    Também na minha altura enquanto estudante e residente, desapareceram imensas coisas, quando nos queixamos aos SAS ainda nos tratam mal, como se a culpa fosse nossa.

    Não existe segurança nenhuma nas residências e esta é que e a verdade.

    Um apartamento que alberga 14 pessoas em 7 quartos, em qe a chave de uns abre o quarto deoutros, parece-me uma grande falha de segurança que é sobejamente conhecida pelo o Administrador e todo o staff dos SAS. Mas nada fazem.

    Espero que outras pessoas temham a coragem de se insurgir e transcrever aqui alguns casos para que todos saibam o ambiente que reina nas residencias da UAlg.

    Tanto há para dizer, tantos incumprimentos do regulamento que só é invocado para punir os estudantes e de forma ilegal.

    Obrigado Costa

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