ISE: Anarquia instalada no Departamento de Engenharia Alimentar

O título poderá parecer um exagero mas, na verdade, retrata uma situação caricata que se passou no dia 20 de Abril de 2010, pelas 14h00, na 1ª frequência da componente teórica da unidade curricular “Tecnologia Alimentar II”.

Numa aula teórica antes do momento de avaliação, a professora fez uma referência para os alunos se dirigirem ao secretariado do curso para confirmarem a presença na frequência.

Chegado ao dia da frequência, a Prof. Paula Pires Cabral, perguntou aos presentes quem não se tinha “inscrito” para aquela frequência. Na boa fé, cerca de 20 alunos identificaram-se e foram convidados a abandonar a sala, pois não lhes iria ser permitido realizar a prova.

Posto isto, a indignação tomou conta dos contemplados com este acto completamente ilegal. Vejamos:

1. Não constava no programa da cadeira disponibilizado na tutoria electrónica, qualquer referência à necessidade de confirmar a presença nos momentos de avaliação da cadeira. (artigo 4º – Regulamento geral de avaliação);

2. Nenhuma informação foi disponibilizada nos placares para o efeito, existindo uma interpretação abusiva da alínea a), nº 1 do artº 67 do Código do Procedimento Administrativo);

3. O facto de ter feito referência, numa aula teórica, que não têm obrigatoriedade de comparência, não garante que a informação chegue a todos os matriculados. É por isso que existe uma rede de correio electrónico para toda a universidade. Os alunos não receberam qualquer email…

4. Para complementar o ponto anterior, é preciso referir que alguns alunos impedidos são estudantes-trabalhadores., que dão preferência às aulas práticas, essas sim, com a obrigatoriedade de comparência a “x” aulas.

O mau estar está presente e promete prolongar-se até que os órgãos competentes se pronunciem acerca da posição do Instituto perante um acto autoritário, que não respeitou os regulamentos existentes, nem os direitos dos estudantes.

O que têm a dizer os responsáveis dos vários órgãos institucionais do ISE sobre esta matéria? Oficialmente nada, porque oficialmente não foi feita nenhuma reclamação por escrito. Mas informalmente existiram várias exposições.

Vejamos o fedback dos órgãos segundo alguns intervenientes:

  • O presidente do Conselho Cientifico lamentou o sucedido e garantiu tudo fazer para que a situação não se repetisse;
  • O assunto foi abordado no Conselho Pedagógico, como ponto extraordinário e, pela voz do seu Presidente, foi comunicado aos estudantes que a professora estava irredutível em realizar aquele momento de avaliação para os aproximadamente 20 estudantes que foram ilegalmente impedidos por si. Contudo, desaconselhou qualquer reclamação escrita, garantindo igualmente que a situação não se voltaria a passar.
  • O NPISE tentou mediar a situação, propondo à docente a realização de uma 2ª frequência, tendo em conta que o acto não estava salvaguardado juridicamente, que esses alunos seriam automaticamente excluídos da avaliação contínua, alguns trabalhadores-estudantes, enfim… a Prof. Paula Pires Cabral enalteceu a atitude do núcleo em defender os interesses dos estudantes mas não mostrou abertura para normalizar a situação.
  • A directora do curso de Engenharia Alimentar, bem como os restantes docentes da Área Departamental presentes na referida reunião do CP, desvalorizaram a questão…

Compreendo que o facto de este acto ter surgido na fase de transição na Direcção do ISE, por força do resultado eleitoral, tenha pesado na sua resolução. Não podemos simplesmente esquecer o que se passou só porque a docente está a fazer birra. Tem de existir imparcialidade no tratamento das questões; não é por acaso que se diz que “a justiça é cega”, logo não olha a quem.

Espero muito sinceramente que reconheçam o lapso na interpretação dos regulamentos pela docente  e que reponham a situação.

Os alunos ficaram gravemente prejudicados!

A Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo recentemente viveu uma situação parecida, mas os seus dirigentes resolveram de forma sublime que é preciso salientar.

O acto no ISE revelou-se uma anarquia individual – Será contagioso? Nos próximos dias saberemos…

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13 pensamentos sobre “ISE: Anarquia instalada no Departamento de Engenharia Alimentar

  1. Na pior dos cenários, a segunda parte da avaliação poderia valer 100 % da avaliação contínua, de forma a evitar que os alunos afectados percam um momento de avaliação..

    No mínimo….

  2. Também estive presente nessa reunião de Pedagógico, pessoalmente senti-me “picado” com algumas das coisas que enquanto aluno lá ouvi.

    Concordo Integralmente com o ponto II do comentário da Professora Ludovina Galego, mas quanto ao ponto I, não posso deixar de me questionar (e eu já ando nestas andanças há algum tempo como todos sabem), porque é que isso não é feito de forma eficiente se é todos os anos igual?

    Quanto ao ponto III, não sei que n tarefas serão essas, mas temos que analisar as prioridades, e isto é de alguma forma uma prioridade! Não estamos a falar de 1 aluno com uma questão pedagógica qualquer, nem a discutir se devemos escrever a azul ou a preto nos exames! São vinte e tal alunos com uma frequência pendente (que de acordo com o que se pode ler neste post, inviabiliza a avaliação contínua à cadeira), alunos esses que nem a cara são capazes de dar numa RGA.

    Não sei como administrar um laboratório, e de certeza que sou de todo incapaz de gerir um curso ou um instituto ou área departamental.

    A minha vida já me chega, e por vezes já é gestão a mais para mim. Mas questiono, e os rapazes e raparigas que estão pendurados? Compreendo a necessidade de inscrever a essas cadeiras (e já assisti à situação da Professora Paula ter que ir à pressa fotocopiar testes para mais 2 ou 3 alunos) mas daí a inviabilizar a realização da mesma a alunos que pagam propinas para se inscreverem à cadeira, e por inerência aos momentos de avaliação da mesma? Muito complicado de resolver, mas e no dia seguinte não se poderia regularizar isso? É aí que, na minha opinião de aluno e de dirigente associativo, está a verdadeira falha da Professora Paula em tudo isto, fora isso, é a Docente mais apta e competente que vejo para leccionar as unidades curriculares que detém (e já deteve, como é o caso de Termodinâmica).

    Agora a 3 semanas e pouco do fim do Semestre, já não sei qual a resolução possível…

    Com o devido respeito por todos os leitores e mencionados,

    Saudações Académicas

  3. Estimada Prof. Ludovina Galego,

    Não posso deixar de agradecer o seu comentário, pois o mesmo, esclareceu algumas dúvidas e levantou outras questões que promete fazer correr muita tinta.

    “… há anos que é normal a inscrição para os testes dessa disciplina….”

    Se assim é, então fica claramente provado que houve negligência de quem coordenada esta cadeira porque:

    1- Este item deve constar no programa da cadeira à anos e não consta, é obrigatório.

    2- Porque existe um elevado número de alunos que não frequentam as aulas teóricas por terem práticas de outras disciplinas dos anos seguintes que são de frequência obrigatória.. ou simplesmente, endendem que estas aulas fazem-se bem na biblioteca, logo, sabendo-se disto tudo, é de bom senso fazer chegar esta informação pelos meios correctos: Email, tutoria, programa da cadeira, afixar nos placares em tempo útil…é só escolher.

    3 – Porque todos os anos o normal é termos alunos novos e não só repetentes que já estão informados por força das circunstâncias como esta.

    “…se as coisas ainda não avançaram é também porque todos nós temos n tarefas para resolver…”

    As coisas não avançaram com ceteza que não é devido às n coisas que os docentes têm para fazer, é uma falsa questão! Essa, deve passar pelo facto da docente se mostrar inrredutivel para corrigir o seu erro, como tal, acredito que ir contra a posição da professora constitui um embaraço não só para ela, mas por quem tem de o fazer. Esta é a verdade e não outra qualquer.

    Esta situação já deveria estar tratada, mas não, estamos à espera que não estejam reunidas as condições para realizar a tal prova em tempo útil, de forma a proteger a birra da professor.

    Esta questão, deveria ser tratada internamente, mas pelos vistos, parece que por essas bandas não gostamos de cumprir regulamentos. Em última instância, o Presidente do ISE já deveria ter regularizado a situação, e não prolongar até que nada possa ser feito em tempo útil.

    Voltarei a excrever sobre esta situação, caso esta não se resolva até ao fim desta semana. E podem ter todos como dado adequerioe, que direi muito mais do que disse na último artigo e faço questão de enviar para a comunicação social.

  4. Caros alunos, como directora do curso de Engenharia Alimentar, lamento que se façam afirmações deturpadas do que se passou na reunião do Conselho Pedagógico.

    I -O que afirmei, relativamente a esse assunto foi apenas que há anos que é normal a inscrição para os testes dessa disciplina, bem como o de outras onde existe elevado número de alunos, principalmente repetentes que em geral já não frequentam as aulas teóricas por terem práticas de outras disciplinas dos anos seguintes, que são de frequência obrigatória.
    (É pena que muitos dos alunos que estavam nessa situação não tivessem sequer enviado um e-mail à Professora a perguntar se este ano voltava a ser necessário fazer a inscrição. As tecnologias da informação não funcionam só num sentido!!)

    II – Disse também nessa reunião que se fosse eu com um problema desses provavelmente teria reagido de forma diferente, e o mesmo poderia acontecer com cada um dos outros colegas.

    III – O que ficou combinado na reunião foi juntar o Presidente do Conselho Pedagógico, o Director de Curso, a Professora em causa e o representante dos alunos para chegar a um consenso, ninguém ignorou o problema como se estão a querer fazer entender pelas afirmações.
    Apesar de não ter existido até à reunião do Conselho Pedagógico, nenhuma queixa escrita, ninguém no pedagógico cruzou os braços, se as coisas ainda não avançaram é também porque todos nós temos n tarefas para resolver e nem sempre é possível encontrar forma de marcar com facilidade para uma reunião que não estava prevista.

    Saudações académicas,
    Ludovina Galego

  5. Eu continuo com a minha…Esse pessoal que falta não trabalha (ou trabalha só para o luxo -roupas, álcool, saídas de desbunda etc.)….Os que realmente trabalham por necessidade não são irresponsáveis…e não teriam esses comportamentos de desgraçadinhos. P.s não sou menino do papa mas sei o que quero para a minha NAÇÃO.

  6. #4 Fred

    Deves ser um dos meninos do “papá” que andam por ai. Tenho pena por ti pois nesse teu caso parece-me que o dinheiro traz apenas ignorância e iguismo. Nesse teu ponto de vista os estudos são para os ricos (pensamento dos seculo XVI) e os pobres que vão servir os ricos.

    É devido a pessoas com a mesma mentalidade que tu que o nosso país anda “torto”.Ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

    Faz um favorzinho a ti próprio e a todos nós, muda essa tua maneira de pensar, e dos que te rodeiam pois a tua educação não deve ter sido das melhores, para ver se saímos deste sufoco de disparidades sociais que temos no nosso país.

    Continua Costa.
    Ricardo Ramos

  7. Caro Fred, que bom para ti que familiares ou outros tem dinheiro suficiente para te sustentar!… Mas no universo de cerca de 8 a 10 mil estudantes da universidade do algarve nem todos sofrem do mesmo mal (e digo assim porque essa tua resposta parece-me de uma pessoa mimada que pouco teve que lutar na vida,pelo menos por enquanto – logo,nao é propriamente uma boa coisa!).

    O que significa colega, que ha alunos que tem a necessidade de trabalhar para se conseguirem manter no ensino superior!………………. Devias experimentar um dia em vez de mandares boquinhas sem nexo nenhum

  8. De facto fico estupefacta c esta situação. Nao existe qualquer respeito pelos alunos dessa instituição. Os erros acontecem, mas é de lamentar que os docentes nao os assumam.

    Em relação ao post anterior, ainda fico mais chocada cm certas opinioões, para mim nao sao de todo compreensiveis….

    Se existe o estatudo de Trabalhador estudante é porque é possivel conciliar as duas coisas, e qualquer um de nos tem legitimidade, e poder de opção. Mas neste caso nao é disso que se trata caro FRED, as regulamentações foram desrespeitadas, alunos ficaram sem avaliação, e tdo por causa d um erro humano.

    Por fim, queria dar os parabens ao Costa, tens feito um excelente trabalho, espero nao precisar mas se um dia tiver algum problema c algum assunto desta natureza (académica) irei aconselhar-me sem duvida cntg….t”ens mais força sozinho, que os pedagogicos tdos juntos”

  9. O problema é que o pessoal só tem direitos e nunca têm deveres. Se fossem as aulas sabiam. Primeiro está os problemas ecológicos depois estão essas questões menores….Na vida há opções…ou trabalha-se ou estuda-se…

  10. Se realmente a associação tem uma reunião com o Pró-Reitor sobre esta matéria, é muito mau sinal.

    É uma questão que deveria ser resolvida internamente porque existem os mecanismo necessários para o fazer.

    Quer dizer que já esgotaram os canais internos da escola e as legitimas pretensões dos estudantes não foram atendidas. Seria um mau inicio de mandato do novo Director do ISE.

    Será que alguém consegue confirmar esta minha dedução?

  11. Ouvi na tertulia que a Associação Académica tinha já uma reunião agendada com o Pró-Reitor para resolver esta situação.

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