Como se explica uma abstenção de 95,9% nas eleições para o Conselho Geral ???

Se em 2009 a fraca participação dos estudantes nas eleições dos seus representantes pode ser atribuída ao facto de ser o primeiro Conselho Geral da Universidade do Algarve, fruto da revisão estatutária de 2008, em abono da verdade, não posso deixar de referir que o excelentíssimo Reitor João Guerreiro teve um papel antagónico ao impedir qualquer afixação de material de campanha à entrada dos campus, ao impedir a divulgação através da plataforma electrónica (email) do manifesto de campanha das listas, o facto de os alunos de 2º ciclo (mestrado) não constarem dos cadernos eleitorais e verem-se impedidos de exercerem o seu direito de voto, entre outras barbaridades que estão devidamente documentadas, para memória futura caso seja necessário…

Pese embora todo o esforço da Lista B, que saudosamente encabecei, a abstenção foi de 91,5%. Curiosamente realizamos um inquérito no nosso círculo eleitoral (campus de Gambelas) em que questão principal dirigida aos estudantes, era se já tinham ouvido ou lido qualquer referência ao órgão em apreço e  quais as suas competências? Em mil e muitas respostas obtidas, apenas uma aluna conhecia (Irina Martins). Os resultados foram afixados em todas as Unidades orgânicas, portanto, do conhecimento geral.

Em relação aos resultados de 2011 temos um aumento da já absurda taxa de abstenção de 91,5% para 95,9% o que corresponde a uma taxa de crescimento de 4,8%. Em termos práticos, o número absoluto de votantes foi metade!

Termino com muitas questões. Uma delas é de que, os responsáveis políticos da Universidade do Algarve apelam à participação e à envolvência dos estudantes no quotidiano da instituição, desde o Reitor aos vários presidentes das comissões eleitorais, mas não passa da retórica. Então neste órgão, o esforço é no sentido da não participação. Vejamos:

Um aluno que se preste a estar numa mesa de voto um par de horas, o Reitor oferece 3 meses de estatuto de dirigente associativo. Um membro do Conselho Pedagógico que reúne ordinariamente duas vezes por ano, dois anos de estatuto de dirigente associativo. Um membro do Conselho Geral que é somente o órgão máximo da instituição e que reúne ordinariamente quatro vezes por ano, foras as reuniões extraordinárias, não tem qualquer estatuto atribuído. Realmente dá que pensar. Quis debater a questão no plenário mas não encontrei qualquer receptividade. Vá-se lá saber porquê…eu sei!

Já agora, qual é o papel da associação académica nisto tudo? Controlar os 17% que é o que vale a nossa representação de forma a ganhar poder negocial, o que, nem sempre corresponde ao melhor dos interesses dos estudantes. Isto é, se entendermos que o melhor interesse dos estudantes não é propriamente o crescimento económico da AAUAlg. Não podemos ter tudo…Alguns leitores devem estar a questionar-se como é possível com 17% termos influência significativa no órgão? A melhor resposta é compararmos a nossa representação ao CDS/PP no panorama político actual. Sem este partido não haveria maioria absoluta, muitas vezes necessária para aprovar certas matérias (vide estatutos da UAlg).

De uma coisa eu tenho como dado adquirido: daqui a dois anos existirão novas eleições, tanto para o Conselho Geral como para eleger o próximo Reitor, e ai sim, a abstenção descerá consideravelmente…é tudo uma questão de motivações..

1As eleições para eleger os representantes dos professores/investigadores (51%) e estudantes (17%), assenta no princípio da paridade entre o subsistema universitário e politécnico conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 2º do Regulamento Eleitoral do Conselho Geral da Universidade do Algarve. Uma forma de garantir a igualdade dos dois subsistemas no seio do órgão. 

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5 pensamentos sobre “Como se explica uma abstenção de 95,9% nas eleições para o Conselho Geral ???

  1. Caro Joaquim Costa,

    Em primeiro lugar concordo com parte do texto ao qual gostaria de acrescentar uma critica à comissão eleitoral que nada fez para reduzir a abstenção. Muito pelo contrário contribuiu bastante para o aumento da mesma ao colocar a urna de voto do Campus da Penha na biblioteca.

    Em segundo lugar não o que queres dizer com a Associação Académica querer controlar 17% do Conselho Geral. Tendo em conta que esse é o peso dos representantes dos estudantes no Conselho Geral estás a me incluir. Da minha parte posso dizer a ti e a todos os estudantes da Ualg que fui eleito simplesmente para defender os interesses dos Estudantes, não para assegurar influências ou qualquer pêso da AAUalg no Conselho Geral. Tal como tem sido a minha postura no exercício das minha funções na AAUalg.

    • Caro Marcelo,

      Obrigado pelo comentário, mas permite-me acreditar que o papel da associação académica é muito mais abrangente do que se possa pensar. Na minha opinião, é uma obrigação da AAUAlg e de todas as associações académicas deste país, fomentarem a participação dos estudantes nos assuntos das instituições em que estão inseridos. Quando digo participação, refiro-me a uma participação consciente por todos os intervenientes. O Centro de gravidade tem mesmo de estar mais distribuído e não estar tão concentrado como está.

      Com todos os meios à disposição da AAUAlg esperava-se mais e muito mais. Nas redes sociais não vi qualquer referência ao assunto, no vosso site, no vosso blog, enfim. A publicidade, ou melhor, o spam não pode ser só lúdico. É importante, mas não é o mais importante…

      Aqui não há um culpado, mas culpados por este desastre na participação cívica dos estudantes.

      Aproveito para desejar-te um bom mandato, mas devo alertar-te que a qualidade de intervenção faz-se com algum trabalho. É uma relação estritamente proporcional.

      Já agora. podes obter uma base de dados do Conselho Geral como só no arquivo da Reitoria existe…podes começar por aqui se achares relevante é claro:

      Toda a documentação dos trabalhos do Conselho Geral da UAlg (Março 2009 a 0utubro 2010)

      https://ualgprofunda.wordpress.com/2010/11/30/1990/

      Abraço

  2. Obrigado pelo comentário,

    Reconheço que não fui eloquente no título e que não foi apropriado.

    O conteúdo, esse, infelizmente é um retrato fiel desta realidade que persiste…

    Enfim…

  3. Felizmente voçê mudou o título da sua publicação. Perdeu pela forma e não pelo conteúdo, mas como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca.

    Quanto à nóticia em si, tiro-lhe o chapeu pela análise feita, claramente voçê tem o conhecimento histórico e a atitude crítica o quante baste para descodicficar este flagelo.

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